Semana do Migrante
(S.P.M.) Serviço Pastoral dos Migrantes  
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Encontro Arquidiocesano de Formação - Brasília - DF









Encontro Arquidiocesano de Formação

Migrações no Documento de Aparecida

Pontifícias obras Missionárias

27 de abril de 2008

Brasilia - DF





“A Igreja, como Mãe, deve sentir-se como Igreja sem fronteiras, Igreja familiar, atenta ao fenômeno crescente da mobilidade humana...” (DA 412)





ENCONTRO ARQUIDIOCESANO DE FORMAÇÃO

Migrações no Documento de Aparecida

Pontificais Obras Missionárias - 27/04/2008





Relatório



O Encontro Arquidiocesano de formação da Pastoral do Migrante, realizado em Brasilia – DF, teve inicio com um momento de mística, onde todos tiveram a oportunidade de refletir sobre as condições em que um migrante chega a uma nova terra e se depara com dificuldades, angústias e sofrimentos. Mas logo percebe que tem Deus em sua vida e que deve por a “mão na massa e deixar de reclamar”. E assim também nós, buscarmos alternativas para acolhermos e orientarmos o migrante, protegê-lo, e mais que tudo valorizar nosso chão, preocupando-nos em cuidar da terra, nossa mãe.

Passou-se para o plenário onde foram iniciadas as palestras, sendo a primeira por Yara da Silva Farias, do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (CSEM) , nos falando da realidade migratória em Brasília – a característica dos fluxos e do contexto social. Dados coletados da última pesquisa realizada em 2004. Concluiu-se que a história ainda se parece com o início da Capital Federal, pois os migrantes continuam vindo se estabelecer e trazendo seus familiares.

A pesquisa retrata os motivos da migração para o DF: 24% melhorar de vida; 11% estudar, 20% trabalho, 6% moradia, 12% adquirir lote, 17% acompanhar parentes, 4% saúde, 6% outros motivos, sendo, na grande maioria, jovens e mulheres do nordeste brasileiro.

Após o intervalo, passou-se para o segundo momento, com a fala de Pe. Placimário de Souza Leite Ferreira, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral, que fez a apresentação geral do Documento de Aparecida. Nos levou a perceber que o DA também nos ajuda a entender a realidade no DF e também configura a Pastoral do Migrante. O DA mostra o que é ser Cristão. Ser Discípulo Missionário de Jesus Cristo. Discípulo (escolher uma norma de vida), Missionário (transmitir a fé a outras pessoas) que é a uma forte dimensão da Pastoral do Migrante. Perguntou-se: Como Pastoral do Migrante no DF, até onde ou como estamos sendo discípulos missionários de Jesus Cristo? Aonde vamos? Que passos precisamos dar?

A primeira decisão do discipulado é a decisão livre e pessoal de seguir Jesus Cristo. Viver a raiz de toda vocação – o Batismo. Não somos discípulos de uma hora pra outra, é necessário uma caminhada. Enfatizou ainda a importância da formação: doutrinal e bíblica, às quais devem ser buscadas constantemente. Afirmou ainda que o modelo de Paróquia são as paróquias missionárias, por preocupar-se com os outros.

Ao final da explanação, Ir. Marizete Schiavon, mscs - Coordenadora da Pastoral do Migrante da Arquidiocese - agradeceu a Pe. Placimário por ter cedido uma sala da Paróquia Divino Espirito Santo para o serviço da Pastoral do Migrante e, Edilene Batista, representando a equipe, entregou-lhe um cartão com uma mensagem de agradecimento, contendo a assinatura de todos os participantes do encontro.

Em seguida acolheu-se o Assessor do Setor Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s), da CNBB, Sergio Coutinho, que nos apresentou a Visão eclesiológica do Documento de Aparecida: suas potencialidades para a Pastoral do Migrante. Sérgio iniciou sua fala com algumas provocações e questionamentos: Haveria uma eclesiologia adequada para a Pastoral do Migrante? Para cada uma das pastorais? Ou uma única para todas as pastorais?

A eclesiologia, no Documento de Aparecida, apresenta duas vertentes:



• Igreja: - Povo de Deus

- Comunhão



A Igreja precisa ser, antes de qualquer coisa, comunidade, (lugar de acolhida, casa de comunhão, espaço de encontro de discípulos e discípulas). Caminhar na história em diálogo com as diversas culturas, como Igreja Peregrina, Itinerante.

Sergio destacou que a Pastoral do Migrante é a pastoral mais eclesiológica, pois a Igreja é migrante, itinerante, peregrina, em constante mobilidade. Precisa migrar de uma posição de conservação para uma posição de disposição ao diálogo, ao outro, ao diferente. Enfatizou ainda que o ser brota do fazer, e que, de acordo com a compreensão que temos de Jesus, fazemos e entendemos a estrutura (estrutura compreendida como a Igreja - instituição que dá visibilidade pública da missão), conforme demonstrado abaixo:



Ser: invisível – carisma Fazer: visível / pública – instituição/estrutura missão





Identidade prática / discipulado (Missão)



Jesus



Hoje a Igreja passa por uma crise de discipulado. Somos Cristãos, mas nem todos somos discípulos.

A paixão pelo Reino levou Jesus para a paixão (morte). Estamos disposto(a)s a sermos discípulo(a)s de Jesus? O Reinado de Deus é a vontade de Deus sendo feita: a misericórdia (sentimento que vem das entranhas) e a justiça.

Entrar na Pastoral do Migrante é aceitar o convite a ser discípulo(a) missionário(a)

Sérgio destacou dois textos muito significativos para a caminhada da Pastoral e que revelam a vontade de Deus. O Deus do Êxodo que escuta, vê, desce, liberta e conduz para uma terra boa e o texto de Lc 24,13-35 (Discípulos de Emaús) que aponta três jeitos de ser Igreja: Discípula (profética); Servidora (acolhida); missionária (ação).

Falou ainda da origem da palavra paróquia “paroikos”, que significa sem casa, sem teto. Portanto, a paróquia deveria ser o lugar dos sem casa, dos sem teto, o abrigo dos desabrigados. Companheiro é aquele que come do mesmo pão. A comunidade que não sabe partilhar o pão é um sinal de preocupação. As pessoas, geralmente, estão mais atrás de hóstias que de Eucaristia.

Enriquecidos com as reflexões e provocações, partilhamos o almoço e, após, retornamos para a continuidade dos trabalhos. Ir. Rosita Milesi - Diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) - partilhou um pouco do trabalho desenvolvido pela entidade, junto a migrantes e refugiados, e antes de iniciarmos as atividades da tarde foi feito um momento de animação com cantos, brincadeiras, sorteio de brindes, entre outros.

Fazendo memória da caminhada feita pela manhã, passou-se para um trabalho em grupos na tentativa de traçar algumas ações a serem desenvolvidas em âmbito comunitário, paroquial e arquidiocesano, a partir de algumas perguntas, como:

1- Em que o DA nos ajuda para o trabalho da Pastoral do Migrante?

2- O que podemos fazer concretamente em nossas comunidades?

3- O que podemos fazer concretamente em nossas paróquias?

4- O que você sugere à Equipe Arquidiocesana da Pastoral do Migrante para animação e maior dinamização da ação junto aos migrantes na Arquidiocese?



Socialização do trabalho em grupos



Questão 01 - O Documento de Aparecida nos ajuda:

-a tomar consciência da necessidade de acolher as pessoas;

- a rever nossa atitude como discípulos missionários de Jesus Cristo na ação junto aos migrantes;

- a refletir sobre o carisma (fogo) na nossa caminhada;

- transmitir a alegria de Cristo;

- a sermos solidários com quem precisa

- compreensão da doutrina católica e do compromisso missionário.



Questão 02 e 03 – O que fazer nas Comunidades e Paróquias:

- Visitar as familias, preferencialmente as que chegaram mais recentemente;

- Acolher e convidar os recém chegados para integrar-se na comunidade/paróquia;

- Reunião mensal a nível de Paróquia para troca de experiências com a presença do Pároco;

- Estudar o Documento de Aparecida

- Levantar dados sobre Migração

- Escutar as pessoas

- Formar equipes para a acolhida nas paróquias

- Encontros de Formação

- Oferecer conforto material e espiritual



Questão 04 – Sugestões para a Equipe Arquidiocesana:

- Serem pacientes e continuarem convidando

- Visita da Equipe aos Conselhos Pastorais Paroquiais;

- Encontrar caminhos e meios para motivar e envolver os párocos;

- Repasse às equipes locais dos assuntos tratados na reunião da equipe central;

- Visitar as paróquias para tornar mais conhecida a Pastoral;

- Distribuir folders para maior divulgação;

- Maior atenção por parte dos Párocos;



Cada equipe local ficou de definir, entre as sugestões acima, ao menos duas prioridades que serão assumidas e desenvolvidas no decorrer do ano. A Equipe Arquidiocesana ficou de avaliar as sugestões e também definir prioridades. E, assim, passou-se para a avaliação do encontro que resultou no seguinte:

O grupo sugeriu que se fizesse uma II etapa para darmos continuidade à reflexão da temática das migrações, ficando definido para 26 de outubro de 2008. Como local foi sugerido as Pontificas Obras Missionárias ou alguma paróquia que possa ceder o espaço. Foram destacados como novidade os seguintes elementos: o número significativo de participantes, as palestras, o interesse, o tema, a união, a organização, o ambiente, a presença de duas pessoas que acompanham a pastoral do migrante desde a primeira reunião, a participação de pessoas novas, a participação de duas novas paróquias, novos integrantes para compor a Equipe Arquidiocesana. Como pontos a considerar: trazer mais gente para o próximo encontro.E, como sugestões: incluir celebração Eucarística.

Encerrou-se o encontro com uma celebração de envio. Foi utilizada a dinâmica do pezinho, onde cada participante foi convidado a escrever nele (pezinho) uma palavra que retratasse o compromisso que irá assumir deste momento em diante. Rezou-se a mensagem “Unge-me Senhor” e, num gesto simbólico as pessoas foram ungidas em dupla no sentido de compartilhar a vida e a missão junto aos migrantes, conduzidos pela força e o poder de Cristo Peregrino que caminha e conduz seu povo para um caminho de esperança. E, fazendo comunhão com todos os migrantes, encerrou-se com a Oração do Migrante.



Nº Participantes: 45



Paróquias e entidades representadas:

- Paróquia Nossa Senhora do Lago - Lago Norte e Varjão

- Paróquia São José – Santa Maria

- Paróquia Divino Espirito Santo – Asa Norte

- Paróquia São Luis Orione – Itapoã

- Paróquia Santo Afonso – São Sebastião

- Paróquia Bom Jesus dos Migrantes – Sobradinho

- Centro de Apoio ao Desenvolvimento Econômico e Social (Nação Piauí)

- Setor Pastorais da Mobilidade Humana, da CNBB

- Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH).


Ir. Marizete








Os migrantes nos Centros Urbanos


 


O Setor Migrantes Urbanos tem por objetivos apoiar e multiplicar alternativas de geração de renda para as famílias de migrantes carentes; realizar um trabalho permanente de formação coletiva, capacitando agentes multiplicadores, especialmente nas periferias das cidades; atuar na denúncia contra o preconceito, discriminação e violação dos direitos humanos; incentivar a cultura e inserção dos migrantes nas lutas populares, na elaboração de políticas públicas e sensibilizar a igreja e a sociedade para a problemática das migrações.


 


O trabalho nos centros urbanos tem-se constituído, para o SPM e as demais Pastorais Sociais, um desafio grande no Brasil. As cidades brasileiras cresceram de maneira descontrolada nas últimas seis décadas. No momento, 81,22% da população brasileira vive nas cidades. Como força de trabalho disponível e necessária, os migrantes foram precariamente incluídos na vida urbana.  No momento, a segunda e terceira geração de migrantes vivenciam muitos problemas. Trata-se de jovens e adolescentes excluídos do mundo do trabalho, quer porque faltam postos de emprego, quer porque não possuem a qualificação profissional necessária. O Serviço Pastoral dos Migrantes, na questão urbana, procura caminhar para uma inserção concreta junto a essa população esquecida. O trabalho na linha de defesa dos direitos humanos, luta contra o preconceito, conscientização das famílias, pequenos projetos de geração de renda e atividades na linha da promoção cultural, são alternativas que visam a fortalecer as redes de solidariedade e salvaguardar crianças e jovens expostos à violência e à criminalidade.


 


Grupo Alvo (sujeitos prioritários) no urbano.


 


Migrantes recém-chegados e migrantes já estabelecidos nos centros urbanos, particularmente mulheres, jovens e adolescentes nas chamadas “faixas de risco”, ou seja, desempregados, expostos a serem aliciados para o mundo do crime.


 


 


 

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