Semana do Migrante
(S.P.M.) Serviço Pastoral dos Migrantes  
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MIGRANTES NORDESTINOS

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NOSSA SENHORA MÃE DO NORDESTE


 Por Valdiran Santos


1. História


 


Esse título de Nossa Senhora Mãe do Nordeste, surgiu em minha cabeça em 1998, por causa do contato que tenho com os nordestinos em São Paulo, através da Pastoral dos Migrantes.


         O título nasceu pelos seguintes pontos:


a)   A fé do povo nordestino em Nossa Senhora.


b)   Nas celebrações dos nordestinos em São Paulo, sentíamos a falta desse título;


c)   Não havia, até, então uma imagem de N. Senhora com características nordestinas.


 


         Pensando em tudo isso, desde 1998 peço a desenhistas para desenhar a imagem da virgem, mas nunca me agradei de nenhum desenho.


         Em Maceió - AL por ocasião das férias missionárias, procurei o escultor Timaia em 14 de Janeiro de 2004, e pedi para ele esculpir a imagem da Virgem e o menino Jesus sob o título de Nossa Senhora Mãe do Nordeste.


         Em 07 de fevereiro de 2004, fui ao encontro do Timaia na praia de Pajuçara para receber a imagem da Virgem e o menino Jesus.


 


2. Iconografia da Imagem.


 


a)   A imagem representa a Virgem Maria caminhando com um feixe de lenha na cabeça (pode também ser um pote). A lenha relembra o trabalho, a luta e o sofrimento da mulher nordestina.


b)   A virgem segura o feixe de lenha com a mão direita e com a mão esquerda ampara o menino Jesus com a mão na cabeça ambos estão em caminhada.


c)   O menino Jesus leva na mão direita uma cabaça com água, que lembra a luta desesperada do nordestino por água e contra a seca.


Na mão esquerda, o menino leva um pão, símbolo da vida, da justiça e da solidariedade, contra a fome e a miséria.


d)   O menino tem um olhar de espanto e de compaixão diante do povo sofrido, faminto e marginalizado. (Mc 6,34-44).


e)   O menino com o braço direito erguido com a cabeça, oferece a Água viva que é Ele mesmo para saciar a sede material e a sede de Deus. “Quem tiver sede venha a mim e beba”. (Jo 7,37).


f)    O menino oferece o pão que mata a fome do corpo, e Ele mesmo se oferece como “Pão da Vida” (Jo 6,35-51), que sacia a fome de espírito, e quantos seres humanos que têm sede e fome de Deus e de Justiça!


g)   Maria de cabelos longos, cinta, terço, com o olhar compenetrado em sinal de preocupação pelo filho e pelo povo, e de meditação no projeto do amor de Deus, quer ser um sinal de vida e de esperança para todos os que sofrem e que se põem a caminho, ela nos mostra o CAMINHO, A VERDADE E A VIDA, (Jo 14,6), Jesus Cristo, Fonte da Água Viva e Pão da Vida eterna para todos.


Ela é a Mãe e companheira de todos os nordestinos que deixam sua terra sua família, e sua cultura para migrar para outras partes do Brasil em busca de sobrevivência e dignidade.


Que Nossa Senhora Mãe do Nordeste, abençoe os Nordestinos e toda humanidade para que todos conheçam a Jesus e tenham a plenitude da vida e da graça.


A imagem de Nossa Senhora Mãe do Nordeste será abençoada e entronizada na capela particular da casa Paroquial de São Luis de Montfort, é a Padroeira da Fraternidade Missionária Emáus e será levada para todas as celebrações dos migrantes nordestinos em São Paulo.


 


 


SÚPLICA À NOSSA SENHORA MÃE DO NORDESTE


 


Ó Nossa Senhora, ó Mãe do Nordeste / Ouvi nossa prece, clamamos a vós.


Vós que atendeis os nossos pedidos, / Ó Mãe do Nordeste, rogai por nós!


 


Virgem Santa, Mãe de Jesus / Do Nordeste esperança e luz! (bis)


 


A seca tão grande, o sol a queimar / O povo sofrido, Jesus vem salvar.


As nossas famílias esperam em vós! / Ó Mãe de Nordeste, rogai por nós!


 


Os agricultores do imenso sertão / Lutando por vida, trabalhando o chão.


Também confiantes imploram a vós, / Ó Mãe do Nordeste, rogai por nós!


 


Mulheres marcadas pela opressão / Carregam no ventre a libertação.


Nas dores da vida, recorrem a vós, / Ó Mãe do Nordeste, rogai por nós!


 


Vaqueiros, poetas, cantores da terra / Apontam saídas, profetas sem trégua.


Renovam as forças orando a vós, / Ó Mãe do Nordeste, rogai por nós!


 


Que falta de água em nosso torrão / Ó Mãe concedei-nos, a vida e o pão.


Sedentos, famintos suplicam a vós, / Ó Mãe do Nordeste, rogai por nós!


 


Trabalho pesado nos canaviais / Salário de fome causa tantos ais.


Os canavieiros clamam a vós, / Ó Mãe do Nordeste, rogai por nós!


 


Unidos no Espírito, vitória do povo / Deus Pai nos envia para um mundo novo.


Na comunidade, Jesus nossa voz, / Ó Mãe do Nordeste, rogai por nós!


 


ORAÇÃO A NOSSA SENHORA MÃE DO NORDESTE


                                                          Pe. Valdiran Santos


 


Nossa Senhora Mãe do Nordeste,


torrão seco e sofrido, de gente honesta e trabalhadora


que enfrenta a caatinga, os espinhos, a seca e o sol,


as dores e o suor para viver com dignidade.


Debaixo desse céu azul, o sol queima nossa pele


e nossas plantações, a água é escassa, a seca domina tudo,


é um cenário sem graça, não fica quase ninguém,


ás vezes parece um fim de mundo!


A terra nas mãos de poucos,


a miséria nos consome, muitos são obrigados


a deixar tudo e ir embora para não morrer de fome.


Confiamos no Senhor, porque Santo é o seu nome!


Nossa Senhora Mãe do Nordeste,


olha para esse povo de artistas e poetas,


cantores e tocadores, mulheres fortes e profetas.


Olha essa terra de verde mandacaru,


sinal de resistência de um povo que quer viver


com justiça e dignidade!


Olha para as mulheres sofridas como tu,


fortes e decisivas na defesa da vida,


na unidade da família e na luta por pão.


Amém!


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 




MIGRANTES NORDESTINOS NAS GRANDES CIDADES

Em todos os recantos das grandes cidades, do centro à periferia, há presença de nordestinos; nas fábricas, nas indústrias, na construção civil, nos serviços domésticos e tantos outros. Nas praças, ruas, debaixo de viadutos, edifícios, favelas, cortiços, conjuntos habitacionais, lotes, condomínios, etc.


São também os nordestinos vítimas da falta de políticas públicas e, por isso ficam abandonados à própria sorte; vítimas do desemprego, da violência, do preconceito, da discriminação e do apartheid social.


 


“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...”


 


Esse provérbio popular nordestino traz uma grande verdade em relação à realidade desse povo: na região mais árida e mais pobre do Brasil, os nordestinos são vítimas permanentes da seca que produz fome, desnutrição e mortalidade infantil e tantos outros males. Como também, são vítimas dos maus políticos da região que instauram a corrupção e a exploração do povo ao longo dos séculos, tornando-o subjugado e dependente de suas migalhas; transformando a Região no imenso curral eleitoral, campo fértil para um assistencialismo barato que rende muitos votos que possibilitam a perpetuação desses senhores no poder e a continuação da tradição dos clãs que passam o poder de pais para filhos, para netos, etc.


E, quando “corre” da região para o Centro-Sul ou para a região Norte ou outras regiões do Brasil como Centro-Oeste (Brasília e Goiás), os nordestinos tornam-se presa fácil dos grandes dragões do sistema político e econômico que exclui as pessoas do mercado de trabalho, da geração de renda e de outros benefícios básicos para a sobrevivência.


Os nordestinos, em geral, têm consciência de seu sofrimento, até porque está acostumado a sofrer - é “o homem das dores”; porém, muitos não têm a consciência política, pois por um lado vê o patrão - político que domina a região, fazendeiro - como o protetor, o padrinho, herança da colonização, da escravidão. Por outro lado, os nordestinos vêm o sofrimento como vontade de Deus, tudo é porque Deus quer, bem como, o sofrimento é um meio de purificação, de perdão para os pecados - herança da chamada primeira evangelização, resquício da Idade Média.


Apesar de tudo, não podemos negar que o Nordestino é movido pela fé em Deus e pela esperança - o que o ajuda até certo ponto - a enfrentar as dificuldades. Prova disso são os grandes centros de Romaria como Juazeiro do Norte e Canindé no Ceará, que são demonstrativos inequívocos dessa fé arraigada na vida do povo.


Fé também usada pelos políticos para manipular o povo para seus interesses pessoais e eleitoreiros, como há também a realidade dos líderes religiosos populares, que são cooptados pelos coronéis, e os que não se deixam coopatar e são perseguidos e assassinados, como o foram Antônio Conselheiro, em Canudos e Antônio Franciscano, em Quebrangulo/AL.


.


..E se unir o bicho foge.”


 


Apesar de parte do povo não ter consciência política, o Nordeste é uma região de grandes manifestações de resistência, desde o início da colonização, com as lutas para expulsar os holandeses, o movimento de Frei Caneca, o massacre de Canudos, as lutas no Vale do Cariri sob a liderança de Pe. Cícero e as ligas camponesas; em Pernambuco, antes da “Revolução de 64” para citar alguns.


Mesmo assim, esses movimentos não conseguiram surtir efeitos profundos e generalizados de mudanças sociais, até porque, as oligarquias tiveram a preocupação de abafar esses movimentos, deslegitimar suas lideranças e manter as massas na alienação, pois as elites têm a convicção de que um povo alienado é um povo dominado, enquanto um povo politizado é uma ameaça para o poder e os privilégios dos dominadores.


Daí a luta desigual de alguns grupos que querem se libertar de uma elite desumana que teima em impor a lei da força e da morte em detrimento da vida que teima em viver em qualquer circunstância.


 


O papel da Igrejas na Região Nordestina


 


As Igrejas têm um papel fundamental na formação crítica do povo nordestino, entre as quais se destaca a Igreja Católica que não poupa esforços num grande mutirão em defesa da vida do povo. Basta ler os pronunciamentos dos Bispos Nordestinos ao longo dos séculos, e, em especial, nos últimos anos. São pronunciamentos fortes e práticas concretas que desencadearam na Região uma forte reação das elites contra a Igreja.


Não podemos esquecer o fato de que o MEB (Movimento de Educação de Base), a Campanha da Fraternidade e as CEBs surgiram no Nordeste, além dos Encontros de Irmãos e a ACR - Animação Cristã Rural. Nem podemos esquecer de Bispos da envergadura de Dom Vital, Dom Hélder Câmara, Dom Fragoso, Dom Francisco Anstragésimo e tantos outros.


 


Migração para São Paulo


 


A migração de nordestinos para São Paulo continua, a ilusão persiste apesar da crise, do desemprego, etc.  É óbvio que o fluxo de migração diminuiu sensivelmente, porém, isso não significa que acabou, é uma migração pequena em relação as das décadas passadas, mas continuada.


A verdade é que, ou no Nordeste ou em São Paulo, ou em qualquer lugar deste país, o nordestino é nordestino, que sofre, mas não se curva à covardia daqueles que massificam o povo para se manterem na idolatria do poder e do ter.



Encontro dos Migrantes Piauienses em Brasília



 


 


        Nos dias 15 e 16 de setembro de 2007, realizou-se o Encontro dos Piauienses que residem em Brasília. O evento foi marcado pela celebração da Santa Missa na Comunidade do Espírito Santo, no Trecho 4 (Paróquia Pai Nosso) e na Paróquia São Judas Tadeu, em Taguatinga Norte. Após a Missa, houve um momento de confraternização com todos os presentes, proporcionando o diálogo e comunhão, num clima fraterno e amigo. Muitas pessoas que não se encontravam há um bom tempo tiveram a oportunidade de se reencontrar e atualizar suas notícias.


Já faz alguns anos que Padre Lotário Weber, sacerdote alemão que realiza sua missão em Cajueiro da Praia, PI, e Pe. Henrique Hegemann, também alemão, atuando em Luiz Correia, PI, visitam os Piauienses em Brasília e em São Paulo para fortalecer a fé e alimentar a esperança. Esse trabalho nos faz lembrar uma frase do Beato Dom João  Batista Scalabrini, Apóstolo dos Migrantes: “Nossa missão consiste em levar aos migrantes o consolo da fé e o sorriso da esperança”.


        Pe. Lotário, em sua homilia, questionou a comunidade quanto à vivência de sua fé, do seu batismo e disse com veemência: “Vocês, piauienses, vocês, nordestinos, têm uma missão a cumprir aqui em Brasília. E essa missão consiste em dar testemunho da sua fé, no dia-a-dia, seja na família, na escola, no trabalho, onde estiverem”.


        Reiteramos nossos agradecimentos ao Pe. Antônio Edmilson Aires, da Paróquia Pai Nosso,  e ao Pe. George de Albuquerque  Tajra, da Paróquia São Judas Tadeu, que cederam o espaço para o Encontro; à Nação Piauí e ao Secretário de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, Raimundo Ribeiro, pelo apoio e pela presença; a Pe. Lotário e Pe. Henrique, que sempre reservam um espaço na agenda para o Encontro com os Piauienses em Brasília; e à Equipe da Pastoral do Migrante e das comunidades que prepararam o referido encontro com tanto carinho. Nossa especial gratidão a cada uma e casa um dos Piauienses que compartilharam deste momento.


 


Ir. Marizete Schiavon, mscs


Pastoral do Migrante


Arquidiocese de Brasília



 


 

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